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Compreendi

Sobre as ervas, entre as folhagens

De 18 de julho a 30 de setembro de 2023, o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto acolhe na Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva a exposição "Sobre as ervas, entre as folhagens”, de Assunção Melo.


Nas palavras da autora

"Sobre as ervas, entre a folhagem”
(do poema Jardim de Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar, 1947)

Como se fosse uma espécie de herbário pictórico, em que as plantas, as folhas e ramos, as flores, as ervas, são captadas e registadas na superfície, este trabalho é baseado predominantemente nas formas vegetais. As cores e formas que se sobrepõem e associam quase aleatoriamente nestas pinturas, tentam apropriar-se da vida do jardim, em que as plantas crescem livremente e os dias de sol desenham sombras onde querem.

Através da impressão direta, do seu contorno delineado, ou do registo da observação, as marcas das formas vegetais efémeras, como pegadas da sua existência breve, tornam-se permanentes, congregam-se e misturam-se com formas imaginadas e outros elementos pictóricos.

A surpresa e diversidade, a riqueza formal e cromática, a individualidade de uma simples erva ou folha, são neste momento, um motivo de fascinação para mim: a natureza magnífica, mesmo a que pode parecer insignificante e pisamos aos pés. É sobre essa insignificância magnífica, esse brilho involuntário, essa surpresa e diversidade que quero debruçar-me.

Um olhar perante a fragilidade da beleza e da vida que tão frequentemente tomamos como banal, imutável e garantida.

Este é o ponto de partida para uma série de pinturas a óleo sobre vidro acrílico.

Na técnica que utilizo, a pintura é realizada totalmente pelo inverso do suporte e vista depois através da superfície, cuja transparência, enquanto permite a visibilidade, cria igualmente uma barreira. Este método permite (mesmo que apenas aparentemente) o acesso a todo o processo da pintura, tornando visíveis as suas camadas sucessivas.

Simultaneamente o ambiente envolvente e o jardim que entra nas salas pelas janelas, é refletido pelo próprio suporte, sendo assim adicionado à pintura e tornando-se nela participante.

Quero agradecer à Galeria da Biodiversidade do Jardim Botânico da Universidade do Porto a disponibilidade para acolher e expor o meu trabalho no seu belíssimo espaço.

Este edifício, mais concretamente o seu jardim, assim como a presença da poesia de Sophia, estão estreitamente relacionados com a prática que tenho vindo a desenvolver e é por isso uma grande alegria para mim poder mostrar o meu trabalho neste local que certamente o ilumina.

Assunção Melo


Sobre Assunção Melo

Assunção Melo vive e trabalha no Porto.

Concluiu em 1992 o Curso Superior de Artes Plásticas-Pintura na ESBAP (FBAUP). Iniciou em 1990 uma prática no campo da ilustração infantil e editorial. A partir de 2009, dedicou-se exclusivamente a um trabalho autoral em Pintura.

Participou em várias exposições coletivas e individuais, entre as quais: Casa-Museu Abel Salazar, Prémio Amadeo Souza-Cardoso, Bienal de Cerveira, Bienal de Espinho, Art Map- Ponte de Lima, Bienal Festa do Avante, Contextile-Modtíssimo, Alfandega do Porto, Arte Hoje, Sociedade Nacional de Belas Artes.